Físicos europeus em Sesimbra para experiência de ponta
Físicos de nove países europeus estão reunidos em Sesimbra até domingo para ultimar os preparativos de uma experiência que pretende dar a conhecer a face da massa da matéria que ficou fora das investigações conduzidas no novo acelerador LHC do CERN.
Portugal é um dos países parceiros do projeto, que resulta de uma colaboração entre 17 instituições europeias. A equipa portuguesa reúne investigadores do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), sedeado em Coimbra, liderados pelo cientista Paulo Fonte.
O Projeto HADES procura saber de onde vem a massa das partículas. Atualmente sabe-se que a parte da matéria tem duas faces: uma é a massa das próprias partículas que a constituem, enquanto que a outra está associada à energia contida na força de ligação entre elas e que as mantém juntas.
A primeira face – das próprias partículas – tem sido estudada em diversas experiências, entre os quais as investigações associadas ao novo acelerador LHC do CERN. A segunda parcela, significativamente maior do que a primeira, é precisamente o alvo da experiência HADES.
O HADES (High Acceptance Di Electron Spectrometer) é um sistema de deteção construído entre 1996 e 2002 em Darmstadt, Alemanha, no âmbito de uma colaboração entre cientistas da Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, França, Itália, Polónia, República Checa e Chipre.
A participação portuguesa nesta experiência, assegurada por uma equipa do LIP, consiste no projeção, construção e operação de um detector de partículas de conceção original que ajudará a identificar com mais rigor o tipo de partículas que emergem das referidas colisões nucleares.
Medir o tempo
Este novo sistema será capaz de medir o tempo de voo das partículas (desde o ponto da colisão até ao detector) com uma precisão equivalente ao tempo que demora a luz a percorrer uma distância de três centímetros (cem picosegundos). Esta informação permite por sua vez determinar a velocidade das partículas, o que é um passo importante para identificar o tipo de partícula de que se trata.
Realizados já nos anos transatos os diversos passos de I&D, neste momento o detector encontra-se em fase final de produção, devendo ser instalado em HADES ao longo do ano de 2009.
Uma vez em funcionamento, o que deverá acontecer em 2010, o detector permitirá estudar um aspeto particular da Física Nuclear que tem relevância para a estabilidade das estrelas de neutrões, objetos celestes exóticos de grande interesse para a Astronomia e a Astrofísica.
A construção deste detector foi financiada pelo GSI Helmholtz Centre for Heavy Ion Research GmbH e pela EU através do programa “Construção de infraestruturas científicas”, coadjuvada por um importante empenhamento nacional de infraestruturas cientificas pré-existentes, principalmente no LIP. Estiveram igualmente implicados no projeto a Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria, que projetou e construiu, em colaboração com a indústria local, a maioria dos componentes mecânicos do detector.
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