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Tales
de Mileto
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Tales de Mileto
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Os
historiadores estão de acordo em situar o começo da actividade
matemática grega na Jónia. Esta região da Ásia Menor teve
contactos comerciais com o Egipto e com a
Mesopotâmia pelo menos
desde o século VIII a.C., mas não está provado que, por virtude
desses contactos, a matemática grega tenha evoluído a partir das
matemáticas orientais. Na opinião de alguns historiadores, a
aritmética e a geometria gregas são o natural prosseguimento dos
saberes congéneres egípcios e mesopotâmicos. Para outros, pelo
contrário, a matemática grega é uma manifestação cultural de
profunda originalidade, com motivações, objectivos e métodos
novos.
O
primeiro nome dum grego associado à matemática é o de Tales de
Mileto, que terá vivido na primeira metade do século VI a.C.. O
relato histórico de Eudemo-Proclo apresenta-o como tendo
introduzido, na Grécia, a geometria (ou medida da terra)
praticada no vale do Nilo:
Tales,
que tinha estado no Egipto, foi o primeiro a trazer essa teoria
para a Grécia; ele próprio descobriu muitas coisas e ensinou os
princípios de muitas delas aos seus sucessores, tratando umas de
modo mais geral e outras de modo mais sensível.
A
afirmação de Proclo de que Tales «ensinou» geometria «aos
seus sucessores» leva a associar o sábio de Mileto à criação,
no século VI a.C., duma escola jónica de matemática.
Para
além da previsão dum eclipse solar e da medição da altura duma
pirâmide (ou dum obelisco) no Egipto, feitos que teriam
impressionado profundamente os seus contemporâneos, a tradição
atribui a Tales a descoberta de que a soma dos ângulos internos
de qualquer triângulo vale dois rectos, de que os ângulos da
base de qualquer triângulo isósceles são iguais, de que os ângulos
que se podem inscrever em semicircunferências são os rectos e do
caso ângulo-lado-ângulo de congruência de triângulos.
Estes
resultados revelam preocupações intelectuais bem diferentes das
dos egípcios e dos mesopotâmicos. Não são enunciados de meras
regras práticas aplicadas a casos particulares, mas sim formulações
gerais de índole teórica. Certamente que seria apresentado algum
tipo de justificação para os resultados geométricos obtidos,
embora não seja de crer que Tales ou algum dos seus contemporâneos
estivesse em condições de fornecer uma demonstração de
qualquer delas. É natural supôr que a argumentação fosse uma
repetição aproximada do processo de descoberta, com grande
predomínio da intuição visual sobre a dedução lógica.
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Retirado de HISTÓRIA
DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000
(Pág. 226-227) |
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Tales de Mileto
(~ 624 - 547 a.C.)
Para alguns
historiadores da matemática antiga, a geometria demonstrativa
iniciou-se com Tales de Mileto, um dos sete sábios da Grécia.
Foi o fundador da escola jônica, escola de pensamento dedicada à
investigação da origem do universo e de outras questões filosóficas,
entre elas a natureza e a validade das propriedades matemáticas
dos números e das figuras. Tales é uma figura imprecisa
historicamente, pois não sobreviveu nenhuma obra sua. O que
sabemos é baseado em antigas referências gregas à história da
matemática que atribuem à ele um bom número de descobertas
matemáticas definidas. Pouco sabemos sobre a vida e obra de
Tales. Supõe-se que começou sua vida como mercador, tornando-se
rico o suficiente para dedicar a parte final de sua vida ao estudo
e a realização de algumas viagens. Supõe-se que viveu algum
tempo no Egito
onde provavelmente aprendeu geometria e na Babilônia
onde entrou em contato com tabelas e instrumentos astronômicos.
Faz parte do seu mito o fato de ter previsto o eclipse solar de
585 a.C., embora muitos historiadores da ciência duvidem que os
meios existentes na época permitissem tal proeza. Atribui-se a
Tales o
cálculo da altura das pirâmides, bem como o cálculo
da distância até navios no mar, por triangulação. Tales
foi o primeiro personagem conhecido a quem associam-se descobertas
matemáticas. Acredita-se que obteve seus resultados mediante
alguns raciocínios lógicos e não apenas por intuição ou
experimentação. Os fatos geométricos cuja descoberta é atribuída
a Tales são:
-
A
demonstração de que os ângulos da base de dois triângulos
isósceles são iguais;
-
A
demonstração do seguinte teorema: se dois triângulos tem
dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então são
iguais;
-
A
demonstração de que todo diâmetro divide um círculo em
duas partes iguais;
-
A
demonstração de que ao unir-se qualquer ponto de uma
circunferência aos extremos de um diâmetro AB obtém-se um
triângulo retângulo em C. Provavelmente, para demonstrar
este teorema, Tales usou também o fato de que a soma dos ângulos
de um triângulo é igual a dois retos;
-
Tales
chamou a atenção de seus conterrâneos para o fato de que se
duas retas se cortam, então os ângulos opostos pelo vértice
são iguais.
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Fonte |
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A
altura duma pirâmide
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A altura duma
pirâmide
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Segundo
Diógenes Laércio (biógrafo do século III d.C.), Tales
ter-se-ia limitado a aguardar um momento em que os objectos
projectam sombras iguais às suas alturas; num instante desses, a
altura duma pirâmide também é igual ao comprimento da
respectiva sombra.
Este
modo de proceder sugere certos conhecimentos acerca de triângulos
isósceles, nomeadamente a proposição recíproca duma acima
referida: se dois ângulos internos dum triângulo forem iguais
então o triângulo é isósceles. Também é certo que pode
tratar-se apenas duma «indução, após medições efectivas num
número considerável de casos» (Heath, 1981, I, pp. 129, 130).
Dada a inexistência de documentos matemáticos dessa época, é
impossível ter certezas sobre o que os geómetras jónios do século
VI a.C. sabiam acerca de triângulos isósceles, mas a tradição
atribui à escola jónica uma tendência para a justificação
racional de saberes empíricos ancestrais.
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Retirado de HISTÓRIA
DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000
(Pág. 227) |
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O Cálculo
da altura das pirâmides |
Há duas versões para
este fato. Hicrônimos, discípulo de Aristóteles, diz que Tales
mediu o comprimento da sombra da pirâmide no momento em que
nossas sombras são iguais a nossa altura, assim medindo a altura
da pirâmide. A de Plutarco diz que fincando uma vara vertical no
extremo da sombra projetada pela pirâmide, construímos à sombra
projetada da vara, formando no solo dois triângulos semelhantes.
Notamos que neste relato é necessário o conhecimento de teoremas
sobre triângulos semelhantes.
Observando o desenho abaixo, a vara colocada no extremo C da
sombra da pirâmide forma, com sua sombra, o triângulo DCE que é
semelhante ao triângulo ABC.
Medindo as duas sombras e a altura da vara, pode-se determinar
então a altura da pirâmide. |
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Fonte |
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Ficheiro cdy
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A
distância dum navio à costa
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A distância dum
navio à costa
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Também
é tradicionalmente atribuído a Tales o caso ângulo-lado-ângulo
de congruência de triângulos que, quase de trezentos anos mais
tarde, com Euclides, aparece como proposição Elementos I,
26; no seu comentário a este resultado do tratado de Euclides,
Proclo de Lícia diz:
(...)
Eudemo, nas suas Histórias geométricas, atribui o
presente teorema a Tales; pois, declara ele, é necessário usar
este teorema para saber a distância dos barcos no mar da maneira
que foi mostrada por Tales.
O
modo como Tales calculou a distância dum navio à costa pode não
ter constituído uma inovação, mas a afirmação de Eudemo de
Rodes leva a supor que Tales terá sido o primeiro a justificá-lo.
É possível que se esteja em presença de mais um caso de
generalização e de teorização a partir de dados empiricamente
conhecidos, como parece ter sido timbre da escola jónica.
Um
possível procedimento para calcular a distância dum navio à
costa, desde que nesta existisse uma torre, utilizaria um
instrumento consistindo duma vara, à qual estava articulado um
ponteiro que era possível fixar de modo a fazer com ela qualquer
ângulo que se desejasse. A vara era colocada em posição
vertical no cimo da torre. À vista dum navio, o ponteiro era
apontado na sua direcção e fixado (isto é, o ângulo que
definia com a vara deixava de poder variar); seguidamente, o
dispositivo era rodado de modo a apontar para a costa. O local da
costa ( acessível, em princípio) indicado pelo ponteiro nesta
segunda posição estaria tão afastado da base da torre como esta
do navio. (Heath, 1908, I, p. 305).

Medição
da distância dum navio à costa
Deste
modo, são considerados dois triângulos (não complanares), ABC e
ABC' (ver figura), tendo iguais os ângulos em A (por o ponteiro
ter sido fixado) e os ângulos em B (por a torre ser perpendicular
ao solo ), e tendo em comum o lado AB (correspondente à torre).
Pode concluir-se que o lado BC do primeiro triângulo (a distância
do navio à costa) é igual ao lado BC' do segundo triângulo (uma
distância na terra firme).
Não
se sabe se os três casos de congruência de triângulos seriam
reconhecidos pelos geómetras jónicos. O caso ângulo-lado-ângulo
não é menos complicado do que os outros dois. Portanto, se Tales
(ou algum seu contemporâneo) tiver observado que um lado e os
dois ângulos adjacentes bastam para determinar um triângulo então
poderá não lhe ter escapado que um triângulo também fica
determinado quer por dois lados e o ângulo por eles formado, quer
pelos três lados.
É
provável que alguma eventual justificação destas ou doutras
descobertas da geometria jónica assentasse, de modo essencial, na
ideia de movimento: dados dois triângulos com certos
elementos iguais, um deles era deslocado de modo a fazer
coincidir os referidos elementos de ambos os triângulos; era então
observado que os outros elementos dos triângulos também
coincidiam, pelo que os dois triângulos se sobrepunham
exactamente.
Desde
muito cedo, os matemáticos sentiram desagrado pela intervenção,
em considerações de geometria elementar, do conceito de
movimento. Mas não foi fácil encontrar uma alternativa. Mais de
duzentos anos depois de Tales ter vivido, na passagem do século
IV para o século III a.C., Euclides ainda recorreu a esse
conceito para provar dois dos casos de congruência de triângulos.
Em finais do século XIX, Hilbert considerou parte do caso lado-ângulo-lado
de congruência de triângulos como um postulado: dados
dois triângulos ABC e A'B'C', se os lados AB e AC, do primeiro,
forem iguais aos lados A'B' e A'C', do segundo, e se os ângulos BAC
e B'A'C' forem iguais então os ângulos ABC e A'B'C' também são
iguais.
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Retirado de HISTÓRIA
DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000
(Pág. 228-229) |
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Thales
of Miletus |
| On the other hand,
there are claims that Thales put geometry on a logical footing and
was well aware of the notion of proving a geometrical theorem.
However, although there is much evidence to suggest that Thales
made some fundamental contributions to geometry, it is easy to
interpret his contributions in the light of our own knowledge,
thereby believing that Thales had a fuller appreciation of
geometry than he could possibly have achieved. In many textbooks
on the history of mathematics Thales is credited with five
theorems of elementary geometry:
(i)
A circle is bisected by any diameter. (ii) The base angles
of an isosceles triangle are equal. (iii) The angles
between two intersecting straight lines are equal. (iv) Two
triangles are congruent if they have two angles and one side equal.
(v) An angle in a semicircle is a right angle.
What is the basis for these claims?
Proclus, writing around 450 AD, is the basis for the first four of
these claims, in the third and fourth cases quoting the work History
of Geometry by Eudemus of Rhodes, who was a pupil of Aristotle,
as his source. The History of Geometry by Eudemus is now
lost but there is no reason to doubt Proclus. The firth theorem is
believed to be due to Thales because of a passage from Diogenes
Laertius book Lives of eminent philosophers written in the
second century AD:
Pamphile says that Thales,
who learnt geometry from the Egyptians, was the first to describe
on a circle a triangle which shall be right-angled, and that he
sacrificed an ox (on the strength of the discovery). Others,
however, including Apollodorus the calculator, say that it was
Pythagoras.
A deeper examination of the sources,
however, shows that, even if they are accurate, we may be
crediting Thales with too much. For example Proclus uses a word
meaning something closer to 'similar' rather than 'equal- in
describing (ii). It is quite likely that Thales did not even have
a way of measuring angles so 'equal- angles would have not been a
concept he would have understood precisely. He may have claimed no
more than "The base angles of an isosceles triangle look
similar". The theorem (iv) was attributed to Thales by
Eudemus for less than completely convincing reasons. Proclus
writes:
[Eudemus] says that the
method by which Thales showed how to find the distances of ships
from the shore necessarily involves the use of this theorem.
Other scholar give three different
methods which Thales might have used to calculate the distance to
a ship at sea. The method which he thinks it most likely that
Thales used was to have an instrument consisting of two sticks
nailed into a cross so that they could be rotated about the nail.
An observer then went to the top of a tower, positioned one stick
vertically (using say a plumb line) and then rotating the second
stick about the nail until it point at the ship. Then the observer
rotates the instrument, keeping it fixed and vertical, until the
movable stick point at a suitable point on the land. The distance
of this point from the base of the tower is equal to the distance
to the ship.
Although theorem (iv) underlies
this application, it would have been quite possible for Thales to
devise such a method without appreciating anything of 'congruent
triangles'.
As a final comment on these five
theorems, there are conflicting stories regarding theorem (iv) as
Diogenes Laertius himself is aware. Also even Pamphile cannot be
taken as an authority since she lived in the first century AD,
long after the time of Thales. Others have attributed the story
about the sacrifice of an ox to Pythagoras on discovering
Pythagoras' theorem. Certainly there is much confusion, and little
certainty. |
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Fonte |
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A Ficha
de Trabalho
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Sobre a Ficha de
Trabalho
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Depois
da proporcionalidade numérica, a proporcionalidade geométrica
surge no
programa de Matemática do 7.º ano de escolaridade
com o tema Semelhança
de figuras:
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Especificação
dos temas |
Objectivos |
- Ampliação e redução
de figuras
- construção à escala
- noção de forma
- Polígonos semelhantes
- razão de semelhança
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- Ampliar e reduzir uma
figura, dada a constante.
- Indicar exemplos de
figuras semelhantes em objectos do dia-a-dia, no plano
ou no espaço, ou num conjunto de figuras dadas.
- Calcular distâncias
reais a partir da sua representação em mapas,
plantas, etc., conhecida a escala.
- Desenhar a planta de uma
sala, de um pátio, etc., dada a escala.
- Construir um polígono
semelhante a outro, dada a razão de semelhança.
- Reconhecer que dois triângulos
são semelhantes se tiverem dois ângulos
respectivamente iguais e aplicar este conhecimento à
determinação de alturas de árvores, edifícios,
etc.
- Fazer construções,
usando instrumentos de medição e de desenho.
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Ainda
que neste tema o programa não faça qualquer referência à
História da Matemática, a maioria dos manuais escolares contém
uma ou outra nota sobre Tales de Mileto e à suposta medição da
altura de uma das Pirâmides do Egipto.
Aproveitando
a nota histórica constante do manual Matemática 7, Areal
Editores, página 82, a presente ficha de trabalho contém algumas
actividades que abordam alguns dos itens previstos neste tema:
ampliação e redução de figuras, polígonos semelhantes,
processos práticos de ampliação e redução, e triângulos
semelhantes.
A
ficha de trabalho não se destina a uma única utilização para
um dado espaço temporal, mas sim para funcionar como um guião
que levará à exploração da generalidade dos itens previstos no
programa para o tema Semelhança
de figuras
(devendo ser complementada com outras actividades e problemas) e
tem a seguinte estrutura:
-
1.ª
Parte - Tales
de Mileto
-
2.ª
Parte - Figuras
semelhantes
-
3.ª
Parte - Polígonos
semelhantes
-
4.ª
Parte - Processos
de ampliação e redução de figuras
-
5.ª
Parte - Triângulos
semelhantes (e sua área) e Tales de Mileto
-
6.ª
Parte - A
distância de um navio à costa
Para
concretizar esta ficha de trabalho (além de outros vários
recursos) é necessário equipamento informático com acesso à
Internet, sendo
recomendável dispor de
um projector de vídeo na sala de aula para ser possível efectuar
algumas sínteses e pontos de encontro.
Ainda
que a história da matemática subjacente nesta ficha de trabalho
não seja preponderante (tentou fazer-se o possível), fomenta-se
a utilização do programa de geometria dinâmica Cinderella
na integração da geometria na sala de aula.
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Quando o sábio Tales de Mileto, cerca de seiscentos anos
antes do nascimento de Cristo, se encontrava no Egipto, foi-lhe pedido por um
mensageiro do faraó, em nome do soberano, que calculasse a altura da pirâmide
de Quéops: corria a voz de que o sábio sabia medir a altura de construções
elevadas por arte geométrica, sem ter de subir a elas. Tales apoiou-se a uma
vara, esperou até ao momento em que, a meio da manhã, a sombra da vara,
estando esta na vertical, tivesse um comprimento igual ao da própria vara.
Disse então ao mensageiro: “Vá, mede depressa a sombra: o seu comprimento é
igual à altura da pirâmide”.

Para ser rigoroso, Tales deveria ter dito para adicionar à
sombra da pirâmide metade do lado da base desta, porque a pirâmide tem uma base
larga, que rouba uma parte da sombra que teria se tivesse a forma de um pau direito
e fino; pode acontecer que o tenha dito, ainda que a lenda o não refira, talvez
para não estragar, com demasiados pormenores técnicos, uma resposta que era
bela na sua simplicidade.
Radice, L. L. (1971)
A Matemática de Pitágoras a Newton
Extraído de Matemática 7, Areal Editores, pág. 82
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René
Descartes
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René Descartes
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Filósofo
e Matemático francês, uma das maiores personalidades na história
do pensamento e fundador da filosofia moderna.
Nasceu
em La Haye, Touraine em 1596 e morreu em Estocolmo em 1650. Filho
de uma família nobre, entrou em 1604 para o colégio dos
jesuítas de La Flêche, recém fundado por Henrique IV.
Cedo despertou nele o entusiasmo pela matemática e antipatia pela
filosofia escolástica, antipatia que se pode dizer simbolizada
pelo seu nome.
Assim
que saiu do colégio, a família fez com que se dedicasse ao exercício
das armas.
Em
Paris, estabeleceu contactos com Mersenne, que conhecera em La
Flêche e que unia aos estudos teológicos o amor às ciências.
Aos 21 anos entrou como voluntário para o exército de Maurício
de Nassau na Holanda. Depois de ter servido contra a Espanha nos
Países Baixos, passou ao serviço do Duque da Baviera contra os
protestantes, ocupando-se sempre, sobretudo, de conhecer os homens
e as coisas. Depois de uma nova campanha, a da Hungria, empreendeu
uma série de viagens.
Em
1628 assistiu como voluntário ao cerco de La Rochelle, e em Março
de 1629, com a idade de 33 anos, retirou-se para a Holanda, país
onde poderia gozar de maior liberdade de pensamento e que
considerava como o mais favorável para uma vida consagrada para
os estudo. Este retiro, que durou até 1649 foi interrompido por
uma viagem à Inglaterra, por outra à Dinamarca e por três
visitas à pátria.
Chamado
a Estocolmo pela Rainha Cristina, ali morreu em 1650. Em carta a
Mersenne em 1636 fala-lhe em fazer imprimir as sua obras com este
título geral: Projecto de uma ciência universal que possa elevar
a nossa natureza ao seu máximo grau de perfeição; contendo além
disso a dióptrica, os meteoros, e a geometria, em que se expõem
as mais curiosas matérias que o autor pôde encontrar, dando-se
uma amostra da ciência universal que propõe, da sorte que a
possam entender até os que a não estudaram.
Na
verdade publicaram-se no ano seguinte em Leide, com o título:
Discours de la méthode pour bien conduire as raison et chercher
la verité das les sciences; plus la Dioptrique, les Méteores e la
Geométrie, qui sont des essais de cette méthode.
Sequiram-se
as Meditationes de prima philosophia (1641), reeditadas em
1642 com respostas às objecções que lhe haviam sido
apresentadas.
A
tradução francesa desta obra, foi feita pelo Duque de Ligues,
intitulou-se Les meditations métaphysiques (1697). Publicou
ainda: Princípio philosophial (1644), obra traduzida para
françês pelo Abe Picot, e por fim o Traité des passions des
l´âimeis (1649).
Depois
da sua morte editaram-se outras coisas, entre os quais, as
incompletas Regulae ad diretionem ingenii, traduzidas em
françês por Cousin com o título Regles pour la direction de
l'espirit. Destas obras, existem em português: O discurso do
método e o Tratado das paixões por Newton de Macedo (Lisboa,
Editora Sá da Costa, 1937) e as Meditações metafísicas por António
Sérgio (Coimbra, Imprensa da Universidade, 1930).
Poder-se-ia
dizer que Descartes é acima de tudo um matemático, e que é mais
um espírito da matemática que faz a metafísica (como Platão)
do que um filósofo que se dedica à matemática e à física.
Por
isso a sua filosofia pretende ser uma espécie de matemática
generalizada, constituindo ambição sua a de aplicar o método
geométrico na criação de uma ciência Universal, fazendo desse
método um método filosófico. Ora para empregar tal método na
filosofia, ele precisava de pontos de partida, e esses pontos,
foram-lhe dados pela reflexão sobre o próprio pensamento.
Tendo
notado que tudo que supunha saber viera dos sentidos da tradição,
e que os sentidos nos enganam ao passo que pela tradição
recebera muitas concepções que verificara serem incertas e sem
base, Descartes passa a duvidar de tudo: é a famosa dúvida metódica.
Este cepticismo, se bem que radical, é todavia provisório, e tem
por objecto chegar a uma ciência certa. Foi acrescentado à dúvida
um princípio positivo, e foi sobre ela que Descartes fundou a
filosofia racionalista moderna. A própria dúvida revela tal
princípio. É absolutamente certo que duvidava; ora duvidar é
pensar; e pois certo que pensa. Ora pensar é existir; é pois
certo que existe. Cogito, ergo sum. É isto uma imediata intuição
intelectual, e não um silogismo. Ora se é evidente que penso e
que existo, não é evidente que o objecto do meu pensamento
exista fora do meu pensamento: ser-nos-ia forçoso ficarmos no
existo porque penso se aquela intuição intelectual não nos
desse a ideia do infinito do pensamento, isto é, de Deus. Assim a
ideia do infinito é anterior à do finito. O nosso espírito
concebe Deus porque Deus existe. Então, o conhecimento da existência
de Deus permite-nos passar à crença na existência do mundo
exterior. Com efeito, da existência de Deus, torna-se evidente
que é fundada a nossa fé instintiva na existência do mundo,
pois que nos vem de Deus, incapaz de nos enganar. As três
realidades cuja existência fica assim demonstrada (Deus, o eu, o
mundo externo) definem-se do seguinte modo: Deus é a substância
infinita, de que tudo depende e que não depende de coisa alguma;
a alma é a substância que pensa; os corpos são a substância
extensa.
Quanto
à palavra substância, significa algo que existe de tal maneira
que não tem necessidade de outra coisa para existir. Sendo a
substância o que não tem necessidade de outra para existir,
segue-se que só Deus é substância no sentido rigoroso da
palavra. Por isso Descartes chama substância relativa e finita ao
que só tem necessidade de Deus para existir.
O
atributo dos espíritos é o pensamento; o atributo dos corpos é
a extensão. O mundo material é uma máquina, uma cadeia
indefinida de movimentos cuja origem é Deus. Os espíritos são
em tudo o contrário dos corpos; são essencialmente seres activos
e livres, e assim como nada há no espírito que não seja
pensamento, inextenso, imaterial. As duas substâncias são
inteiramente exclusivas uma da outra, inteiramente opostas entre
si.
Os
resultados que Descartes atingiu na matemática são da máxima
importância, especialmente pelo que concerne à Geometria analítica.
Intentou fundar uma matemática universal, a que a álgebra, a
geometria, a aritmética estariam subordinadas. O estabelecimento
de uma correspondência entre álgebra e a geometria foi bastante
útil para as duas, podendo considerar-se a invenção de
Descartes como ponto d partida da matemática moderna. A nova
disciplina foi exposta na Geometria. A primeira parte desta obra,
mostra como as operações aritméticas podem ser geometricamente
representadas; a segunda trata das curvas algébricas e
transcendentes, explicando o emprego das coordenadas; a terceira,
finalmente, trata da teoria das equações. |
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Retirado de http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2002/icm105/descartes.htm |
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René Descartes
(1596 - 1650)
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René Descartes |
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Filósofo
e matemático francês cujo nome foi latinizado para Renatus
Cartesius, nasceu no dia 31 de março de 1596 em La Haye, hoje La
Haye-Descartes, Touraine - França. Filho de um conselheiro do
Parlamento da Bretanha, Joachim Descartes e de Jeanne Brochard,
" mademoiselle du Perron ", nome este usado em 1630 por
Descartes para se matricular como estudante em Leyden , na
Holanda. Um ano depois do seu nascimento ocorre o falecimento de
sua genitora, ficando também, sob a guarda de sua avó materna,
seu irmão Pedro e sua irmã Joana. Em 1600, seu pai tornava a se
casar com Ana Marin, pertencente, também, à classe de juizes,
advogados e funcionários, que , naquela época, constituíra um
dos elementos mais importantes da burguesia em plena ascensão.
O segundo de uma família de dois filhos e uma filha, entrou com
oito anos de idade para estudar no colégio de jesuítas de La Flèche
fundado por Henrique IV, no período de 1604 a 1614, onde estudou
línguas clássicas, lógica, ética, matemática, física e metafísica,
cujo ensino, mais tarde, viria a criticar. Revelou-se meditativo,
impressionando seus mestres pela profundidade, independência de
caráter e pela insistência em não aceitar sem reflexão aos
ensinamentos e opiniões recebidas.
Em
1612, abandonou os estudos no colégio de La Flèche e foi para
Paris onde em 1615 e 1616 renovou a amizade colegial com o Padre
franciscano Marin
Mersenne, que usou o cartesianismo para combater
o ateísmo, e alguns jansenistas, ligados à chamada lógica de
Port-Royal, e durante estes dois anos se dedicaram ao estudo da
matemática, licenciando-se, ainda, Descartes, em Direito no ano
de 1616 em Poitiers, cidade e sede da região de Poitou-charentes
na França. Descartes com o seu espírito curioso e perspicaz, pôs-se
à procura de novos conhecimentos, viajando e acompanhando, com
interesse, as experiências que os cientistas estavam começando a
fazer fora dos ambientes universitários.
Durante
a sua juventude dedicou-se ao estudo da Lógica, da Geometria e da
Álgebra, três disciplinas que lhe pareceram de grande utilidade
para o seu projecto.
E
para, à partida, garantir maior simplicidade possível no seu método
definiu quatro regras que propôs nunca abandonar e decidiu seguir
apenas a sua própria razão:
1ª
- Não aceitar nada como verdadeiro se não lhe fosse apresentado
provas, clareza e distinção.
2ª
- Dividir cada uma das dificuldades nas suas partes mais simples,
de modo a facilitar a resposta. Dividir cada uma das
dificuldades nas suas partes mais simples, de modo a facilitar a
resposta.
3ª
- Conduzir o raciocínio por ordem começando pelo mais simples e
acabando no mais complexo. Conduzir o raciocínio por ordem
começando pelo mais simples e acabando no mais complexo.
4ª
- Fazer enumerações tão completas e gerais a ponto de nada
ficar por dizer. Fazer enumerações tão completas e gerais a
ponto de nada ficar por dizer. |
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Fonte |
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La
Geometrie
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A Geometria
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Descartes
é um dos grandes matemáticos de todos os tempos. Ele foi um dos
fundadores da geometria analítica: a geometria passou a
beneficiar da linguagem da análise, mais fácil de manejar e, por
outro lado, a análise ganhou com o suporte intuitivo fornecido
pela geometria.
Foi
no decorrer do ano de 1637 que Descartes concluiu o Discurso do
Método acompanhado de três anexos, o último dos quais A
Geometria. Escrita com a intenção de ilustrar
matematicamente as considerações filosóficas gerais do Discurso
do Método relativamente ao método científico, A
Geometria é a única obra matemática publicada pelo filósofo
e matemático, ocupando uma centena de páginas.

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De Descartes
e a Matemática,
retirado de http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/descartes/index.htm |
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DESCARTES
A GEOMETRIA
Edição Bilingue Comemorativa
do
ANO MUNDIAL DA MATEMÁTICA |

Pode encontrar a obra La
Géométrie de René Descartes (versão digital) no sítio:

Obra completa em formato
pdf (local).
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Do
Livro Primeiro
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DOS PROBLEMAS QUE SE
PODEM CONSTRUIR SEM EMPREGAR MAIS QUE CÍRCULOS E LINHAS RECTAS
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| Todos os
problemas da Geometria podem reduzir-se facilmente a termos tais
que é desnecessário conhecer de antemão mais do que o
comprimento de algumas linhas rectas para construí-los. |
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Como o cálculo da
aritmética se relaciona com as operações de geometria
|
| E assim como
a aritmética não compreende mais que quatro ou cinco operações,
que são a adição, a subtracção, a multiplicação, a divisão
e a extracção de raízes, que pode tomar-se como uma espécie de
divisão, assim também não há outra coisa a fazer em geometria,
com respeito às linhas que se desejam conhecer, que juntar ou
subtrair outras, ou ainda, conhecendo uma, que designarei por
unidade para relacioná-la o melhor possível com os números, e
que geralmente pode ser escolhida arbitrariamente e, conhecendo
logo outras duas, determinar uma quarta que esteja para uma dessas
duas como a outra está para a unidade, que é o mesmo que a
multiplicação; ou ainda encontrar uma quarta que esteja para uma
dessas duas como a unidade está para a outra, o que é o mesmo
que a divisão; ou, enfim, encontrar um, dois, ou vários meios
proporcionais entre a unidade e alguma outra linha, o que é o
mesmo que extrair a raiz quadrada, ou cúbica, etc. E não temerei
introduzir estes termos de aritmética em geometria, a fim de
tomar-me mais inteligível. |
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A
extracção da raiz quadrada
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Se se pretende extrair a
raiz quadrada de GH, junta-se em linha recta FG, que é a unidade,
e dividindo FH em duas partes iguais pelo ponto K, tomando este
ponto como centro, traça-se o círculo FIH; elevando então desde
o ponto G uma linha recta, formando ângulos rectos com FH, até
I, é GI a raiz buscada. Nada digo aqui da raiz cúbica, nem das
outras, pois delas tratarei detalhadamente mais adiante. |
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Como se chega às equações
que servem para resolver os problemas
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| Assim, quando
se pretende resolver algum problema, deve considerar-se de antemão
como já feito, e atribuir nomes a todas as linhas que parecem
necessárias para construí-lo, tanto às que são desconhecidas
como às outras. Então, sem considerar nenhuma diferença entre
estas linhas conhecidas e desconhecidas, deve examinar-se a
dificuldade na forma como aquelas linhas dependem mutuamente umas
das outras, segundo a ordem que se pressente de todas a mais
natural, até que se tenha encontrado a maneira de expressar a
mesma quantidade de dois modos distintos, o que se denomina uma
equação, pois o valor de uma dessas expressões deve ser igual
ao da outra. E devem encontrar-se tantas dessas equações quantas
as linhas desconhecidas.
Se, apesar de
não se ter omitido nada do que se deseja no problema, o número
de equações for menor que o de linhas desconhecidas, isso prova
que o mesmo não está inteiramente determinado e podem então
tomar-se à discrição linhas conhecidas para aquelas a que não
corresponde nenhuma equação.
Resta
considerar o caso de o número de equações ser superior ao de
linhas desconhecidas. Então, é necessário recorrer, por ordem,
a cada uma das equações excedentes, quer considerando-as
isoladamente quer comparando-as com as outras, para explicar cada
uma das linhas desconhecidas e lograr que, ao eliminá-las, não
reste mais que uma só expressão igual a alguma outra que seja
conhecida; ou ainda que o quadrado, ou o cubo, ou o quadrado do
quadrado, ou o supersólido, ou o quadrado do cubo, etc., seja
igual ao que resulta por adição ou subtracção de outras duas
ou mais quantidades, das quais uma seja conhecida, e as outras
estejam compostas de alguns meios proporcionais entre a unidade e
esse quadrado ou cubo, ou quadrado do quadrado, etc., multiplicado
por outras conhecidas, o que escrevo da seguinte maneira:
z = b,
ou
z2 = -az + b2,
ou
z3 = +az2 +
b2z - c3, ou
z4 = az3 - c3z
+ d4, etc. |
Quere dizer: z,
que tomo pela unidade desconhecida, é igual a b; ou o
quadrado de z é igual ao quadrado de b menos a
multiplicado por z; ou o cubo de z é igual a a
multiplicado pelo quadrado de z mais o quadrado de b
multiplicado por z menos o cubo de c, etc.
E podem assim
reduzir-se sempre todas as quantidades desconhecidas a uma só
quando o problema pode construir-se por círculos e linhas rectas,
ou ainda por secções cónicas ou por alguma outra linha que não
esteja composta em mais do que um ou dois graus. Mas não me
detenho a explicá-lo com mais detalhe para não privar cada um do
prazer de aprendê-lo por si mesmo, nem impedir o cultivo útil do
próprio espírito exercitando-o, que é, na minha opinião, a
principal utilidade que pode obter-se desta ciência. Pois não me
refiro a coisas tão difíceis que aqueles que sejam um pouco
versados na geometria comum e na álgebra e que apliquem com
cuidado tudo o que está neste tratado, não possam encontrar. Por
isso contentar-me-ei advertindo que, sempre que ao desenvolver
estas equações se não esqueça de efectuar tantas divisões
quantas sejam possíveis, se obterão infalivelmente os termos
mais simples aos quais o problema pode ser reduzido. |
|
Quais são os problemas
planos
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Se este pode
ser resolvido pela geometria ordinária, quere dizer, sem utilizar
mais que linhas rectas e circulares traçadas sobre uma superfície
plana, depois de dar à última equação a forma reduzida, não
restará, no final, mais do que um quadrado desconhecido, igual ao
que resulta da adição, ou da subtracção, da sua raiz
multiplicada por alguma outra quantidade também conhecida
[coeficiente], mais alguma outra quantidade conhecida [termo
independente]. |
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Como
se resolvem
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E então esta
raiz ou linha desconhecida, encontra-se facilmente. Se se tem, por
exemplo,
z2
= az + b2
construo o
triângulo rectângulo NLM, cujo lado LM é igual a b, raiz
quadrada da quantidade conhecida b2, e o outro
LN é a/2, a metade da outra quantidade conhecida, que está
multiplicada por z, que suponho ser a linha desconhecida.
Logo, prolongando MN, base [hipotenusa] desse triângulo, até O,
de modo que NO seja igual a NL,

a linha total
OM, ou z, que é a linha buscada; ela expressa-se

Tendo porém y2
= -ay + b2, sendo y a quantidade
que é necessário encontrar, construo o mesmo triângulo NLM, e
de base MN levando NP igual a NL, sendo PM a raiz buscada. De modo
que tenho

Analogamente,
se tivesse x4 = -ax2 + b2
PM seria x2 e ter-se-ia

e assim
noutros casos.
Enfim, tendo
z2
= az - b2
faz-se NL
igual a a/2, e LM igual a b, como anteriormente;
logo,

em vez de
unir os pontos M e N, traça-se a paralela MQR a LN e o círculo
com centro em N e que passa por L, que a corta nos pontos Q e R; a
linha buscada, z, é MQ, ou MR, pois neste caso ela
expressa-se de duas formas, a saber,

E se o círculo
que tem o seu centro em N e passa por L não corta nem toca a
linha recta MQR, não há nenhuma raiz da equação, de maneira
que pode assegurar-se que a construção do problema proposto é
impossível.
Por outro lado, estas mesmas
raízes podem encontrar-se por uma infinidade de outros meios, e
indiquei aqui apenas esses muito simples, a fim de mostrar que se
podem construir todos os problemas da geometria ordinária, sem
fazer mais que aquele pouco que está compreendido nas quatro
figuras que expliquei. Não creio que os antigos o tenham
observado; pois em tal caso eles não teriam escrito livros tão
volumosos em que só a ordem das proposições nos mostra que não
possuíam o verdadeiro método para resolvê-las todas, mas que
apenas recompilaram as que tinham resolvido. |
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Extraído de DESCARTES
A GEOMETRIA
Editorial Prometeu, páginas 3 a 13 |
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Como
podem empregar-se letras em geometria
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Não há, com
frequência, necessidade de traçar essas linhas sobre o papel, e
basta designá-las por certas letras, uma só para cada linha.
Assim, para somar as linhas BD e GH, designo uma por a,
outra por b e escrevo a+b; e a-b
para subtrair b de a; e
ab para multiplicar uma pela outra; e a/b
para dividir a por b; e
aa ou a2 para multiplicar a por si
mesma; e a3 para multiplicar outra vez por a,
e assim até ao infinito; e
para extrair a raiz quadrada de a2+b2;
e
para extrair a raiz cúbica de
e assim de outras.
É de
assinalar que para a2 ou b3 ou
outras expressões semelhantes, eu não concebo ordinariamente
mais que linhas simples, ainda que, para servir-me dos nomes
usados em álgebra, as designe por quadrados, cubos, etc.
Observe-se
também que, quando a unidade não está determinada no problema,
todas as partes de uma mesma linha devem expressar-se
ordinariamente por tantas dimensões uma como a outra,: assim, na
linha que designei por
, a3 contém tantas [dimensões] como abb
ou b3; mas já o mesmo não sucede quando a
unidade está determinada, em virtude de ela poder ser
subentendida onde quer que haja demasiadas ou demasiado poucas
dimensões; assim, se há que extrair a raiz cúbica de aabb-b,
deve considerar-se que a quantidade aabb está dividida uma
vez pela unidade, e que a outra quantidade b está
multiplicada duas vezes pela mesma unidade.
Por
último, a fim de não deixar de recordar os nomes destas linhas,
convém sempre fazer uma notação separada, à medida que se
colocam ou se mudam, escrevendo, por exemplo,
AB =
1, quere dizer AB igual a 1.
GH = a
BD =b, etc. |
Notas:
Sobre a geometria de Descartes, em particular o assunto aqui referido,
sugere-se esta
ligação, do sítio:
Descartes
et les Mathématiques
http://perso.wanadoo.fr/debart
Sobre como efectuar, com a utilização,
apenas, da régua não graduada e do compasso as quatro operações
fundamentais mais a extracção da raiz quadrada, sugere-se esta
ligação, de José
Miguel Sousa.
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O meio
proporcional
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Quadraturas, o
meio proporcional e a extracção da raiz quadrada
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Quadraturas
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Outro
importante problema que os geómetras gregos se puseram foi o das quadraturas
de figuras planas. Seja F uma figura plana; quadrar F
é construir um quadrado com área igual à de F. Nos Elementos,
este assunto é tratado a partir das aplicações de áreas. Na
proposição Elementos I.45,
Euclides ensina (em particular) a transformar qualquer figura
plana poligonal num rectângulo de igual área e com um lado
arbitrariamente escolhido. Portanto, para transformar qualquer
figura plana poligonal num quadrado de igual área, bastará saber
transformar qualquer rectângulo num quadrado de área igual.
Euclides
estuda a quadratura de rectângulos no segundo livro do seu
tratado, nomeadamente nas proposições nas proposições Elementos
II.5
e Elementos II.6.
As demonstrações destes dois resultados assentam apenas na
igualdade dos dois rectângulos complementares de qualquer decomposição
na diagonal dum quadrado.
A
última proposição do Livro II (II.14
- Construir um quadrado igual a uma figura rectilínea dada)
ensina a obter a quadratura de qualquer figura poligonal.
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Retirado de HISTÓRIA
DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000
(Pág. 269) |
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Decomposição
na diagonal
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Os paralelogramos [AEKH]
e [KGCF] são semelhantes entre si e ao paralelogramo inicial, [ABCD];
as suas diagonais [AK] e [KC] estão contidas na diagonal [AC] do
paralelogramo [ABCD]. Na terminologia de Euclides, os dois
paralelogramos semelhantes, obtidos numa decomposição deste tipo,
dizem-se paralelogramos na diagonal e os outros dois
paralelogramos da decomposição ([EBGK]
e [HKFD]) dizem-se paralelogramos
complementares. Uma decomposição deste tipo é costume
chamar-se uma decomposição na diagonal.
Dado que qualquer
diagonal dum paralelogramo o divide em dois triângulos congruentes
(e, portanto, com a mesma área), é muito fácil estabelecer o seguinte
teorema:
Elementos I.43:
Em qualquer paralelogramo, os complementares dos paralelogramos
na diagonal são iguais entre si. |
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A
construção do meio proporcional |
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O
teorema da altura (num triângulo rectângulo, a altura relativa
à hipotenusa é meio proporcional entre os segmentos que
determina na hipotenusa), que é uma consequência do teorema dito
de Tales, em conjugação com o que afirma que qualquer ângulo
inscrito numa semicircunferência é recto, permite construir o
meio proporcional entre dois segmentos de recta s e t
dados, isto é, um segmento de recta y tal que se verifique
a proporção
Com
efeito, para obter um tal segmento, desenhem-se dois segmentos de
recta SH e HT iguais aos segmentos s e r,
respectivamente, e justapostos, no prolongamento um do outro, pela
extremidade comum H (ver figura à direita). De seguida, tracem-se a
circunferência (ou um conveniente arco dela) com diâmetro ST -
para o que será útil conhecer o seu centro, que é o ponto médio,
O, do segmento de recta ST - e a recta que passa por H e é
perpendicular a ST. Se se chamar Y a um dos pontos de intersecção
desta perpendicular com a circunferência então o segmento de recta
HY será meio proporcional entre SH e HT, ou seja, entre s e r.
Também
é possível obter uma construção alternativa do meio proporcional
de dois segmentos de recta, no contexto da geometria das áreas. De
facto, basta quadrar o rectângulo de lados iguais aos segmentos de
recta dados.
Note-se
que qualquer uma destas construções geométricas (quer "as
que Euclides demonstra no livro VI dos
Elementos, quer as que usam
as técnicas da geometria das áreas) se pode realizar utilizando
exclusivamente a régua e o compasso. |
|
Retirado de HISTÓRIA
DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000
(Pág. 291-292) |
Sobre quadraturas, pode
consultar-se as seguintes ligações:
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Teorema
de Tales
(Corolário de Elementos
VI.2) |
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Dadas duas
rectas, r e s, intersectando-se num ponto O, e duas
rectas paralelas, p e q, intersectando r nos
pontos A e B, respectivamente, e s nos pontos C e D,
respectivamente, obtem-se a proporção:
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Teorema
de Tales |
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A
construção do meio proporcional
(Elementos
VI,13)
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O teorema da altura (num
triângulo rectângulo, a altura relativa à hipotenusa é meio
proporcional entre os segmentos que determina na hipotenusa),
conjugado com o que afirma que qualquer ângulo inscrito numa
semicircunferência é recto, permite construir o meio
proporcional entre dois segmentos de recta s e t
dados, isto é, um segmento de recta y tal que se verifique
a proporção
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Meio
proporcional
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A
extracção da raiz quadrada
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No caso particular de
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a
proposta de Euclides sugere um processo geométrico de construção
de um segmento de recta de comprimento igual à raiz quadrada do
comprimento de um dado segmento:
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A Ficha
de Trabalho
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Sobre a Ficha de
Trabalho
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A
mensagem, publicada no fórum pelo formador (ver caixa à direita)
no dia 15 de Dezembro, sobre Equações do 2.º grau
despertou-me o interesse e, por isso,
decidi aceitar parte do desafio.
Assim,
decidi construir uma actividade que pudesse ser integrada no
Módulo Inicial do 10.º ano:
|
O
professor deverá propor neste módulo problemas ou
actividades aos estudantes que permitam consolidar e fazer
uso de conhecimentos essenciais adquiridos no 3.º ciclo
de modo tanto a detectar dificuldades em questões básicas
como a estabelecer uma boa articulação entre este ciclo
e o Ensino Secundário. Poderá partir de uma determinada
situação, de um determinado tema, procurando evidenciar
todas as conexões com outros temas tomando como meta o
desenvolvimento das competências matemáticas
transversais, isto é, daquelas que atravessam todos os
temas e devem constituir os grandes objectivos de um currículo
de Matemática
Uma
compreensão mais profunda da Matemática só se verifica
quando o estudante vê as conexões, quando se apercebe
que se está a falar da mesma coisa encarando-a de
diferentes pontos de vista. Se os estudantes estão a
explorar, por exemplo, um problema de geometria poderão
estar a desenvolver a sua capacidade de visualizar, de
fazer conjecturas e de as justificar, mas também poderão
estar a trabalhar simultaneamente com números, calculando
ou relacionando áreas e volumes, a trabalhar com proporções
na semelhança de figuras ou a trabalhar com expressões
algébricas.
Os
problemas a tratar neste módulo devem integrar-se
essencialmente nos temas Números, Geometria e Álgebra
deixando para outra altura os problemas que se integrem no
tema Funções ou Probabilidades e Estatística.
Pretende-se
que os problemas a propor ponham em evidência o
desenvolvimento de capacidades de experimentação, o
raciocínio matemático (com destaque para o raciocínio
geométrico) e a análise crítica, conduzindo ao
estabelecimento de conjecturas e à sua verificação.
A
seguir são apresentados enunciados dos problemas que
deverão ser propostos aos estudantes.
Esta
lista pode ser parcial ou totalmente substituída por
outra que, em termos gerais, contemple os mesmos
conhecimentos e capacidades; esses outros problemas deverão,
de preferência, ser retirados de documentos oficiais
relativos ao Ensino Básico.
Unindo
os pontos médios de um quadrilátero encontramos sempre
um paralelogramo?
Porque
é que há só 5 sólidos platónicos?
Estudo
da possível semelhança entre garrafas de água de uma
dada marca de 33cl, 50cl, 75cl e 1,5l.
Como
resolveu o matemático Pedro Nunes equações do primeiro
e do segundo graus? Podemos identificar, nos seus
escritos, o uso da fórmula resolvente ou pelo menos de
alguns casos particulares? Que casos Pedro Nunes não
considerou ou considerou impossíveis?
Que
números racionais são representáveis por dízimas finitas?
Qual a dimensão do período de uma dízima infinita periódica?
Alguns
destes problemas poderão ser substituídos, com vantagem,
por actividades ou problemas ligados ao mundo real,
propostos e planificados por um grupo de professores do
conselho de turma de modo a integrar na sua resolução
conhecimentos de várias disciplinas. |
|
Retirado
do Programa de Matemática A, 10.º Ano |
Uma
parte da
ficha de trabalho destina-se a ser utilizada durante pouco mais do
que uma aula de 90 minutos, uma actividade é para desenvolver
como trabalho de casa e a parte final é uma proposta
de trabalho para ser desenvolvida durante o ano, consoante o
interesse manifestado pelos alunos.
A ficha de trabalho tem a seguinte estrutura:
-
1.ª
Parte - René
Descartes e A
Geometria
É apresentado um texto retirado de A
Geometria de Descartes,
que inclui como o cálculo da aritmética se relaciona com
as operações de geometria, quais são os problemas
planos e como se resolvem, com incidência na
resolução da equação do 2.º grau, do tipo x2
= ax + b2.
-
2.ª
Parte - René
Descartes e a equação x2
= ax + b2
É proposto que se resolvam algumas equações segundo a
fórmula indicada por Descartes, que se obtenham todas as
soluções de cada uma dessas equações, que se indique uma
razão pela qual o método de Descartes não determina todas
as soluções e, por último, é pedido para verificar se existe,
ou não, alguma semelhança entre a fórmula de Descartes e a
fórmula resolvente.
Depois, pede-se que se verifique a obtenção de soluções de
algumas equações numa animação com o Cinderella,
construída segundo o processo geométrico descrito por
Descartes, terminando com o pedido da obtenção da fórmula
apresentada.
-
3.ª
Parte - René
Descartes e a extracção
da raiz quadrada
Apresenta-se o texto onde Descartes descreve a construção
que permite obter a raiz quadrada de um segmento de recta e
pede-se que se resolva esse exercício no Cinderella.
Depois pede-se que se justifique que, de facto, o comprimento
do segmento obtido tem comprimento que é a raiz quadrada do
segmento dado.
-
4.ª
Parte - A
extracção da raiz quadrada de
René Descartes e Elementos
II.14
É apresentada uma construção relativa à quadratura de
um rectângulo, construída segundo Elementos II.14,
e pede-se que se mostre a veracidade da proposição de
Euclides. Pede-se ainda que se relacione o processo de extracção
da raiz quadrada de Descartes com a quadratura de um rectângulo
de Euclides. (Para trabalho de casa)
-
5.ª
Parte - Para
ir fazendo... e aprendendo
São apresentadas diversas ligações a textos
sobre temas referidos nesta ficha de trabalho e é proposta
uma actividade sobre quadraturas. (Para ser
desenvolvida durante o ano, consoante o interesse manifestado
pelos alunos)
Para
concretizar esta ficha de trabalho é necessário equipamento informático com acesso à
Internet, sendo
recomendável dispor de
um projector de vídeo na sala de aula para ser possível efectuar
algumas sínteses e pontos de encontro.
Além
da história da matemática subjacente nesta ficha de trabalho, fomenta-se
ainda a utilização do programa de geometria dinâmica Cinderella
na integração da geometria (e a sua conexão com a álgebra) na sala de
aula, pretendendo-se simultaneamente consolidar e fazer uso de
alguns conhecimentos essenciais adquiridos no 3.º ciclo.
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| Tópico: |
Equações do 2º Grau |
| Forum: |
História
da Matemática com o Cinderella |
| De: |
José
Miguel R. Sousa (miguel@mail.prof2000.pt) |
| Data: |
quarta-feira, 15 de Dezembro
de 2004 12:15 |
|
Na última sessão de chat, a propósito da tarefa 7 da
Isabel, falei que gostaria de ter analisado a resolução de
Equações do 2º Grau.
Não resisto à tentação de deixar aqui umas linhas :-) .
Euclides no sexto livro dos Elementos expõe uma
“teoria” das equações quadráticas utilizando
aplicações das áreas por defeito e por excesso.
As raízes das equações em causa eram expressas por
segmentos de recta, obtidos através de construções
utilizando a régua não graduada e o compasso.
Só eram consideradas grandezas do mesmo tipo, pois a um
segmento de recta não estava ligado necessariamente um
valor numérico. Além do mais, tratando-se de segmentos de
recta, as raízes obtidas eram todas positivas.
René Descartes (1596-1650) dedica grande parte da obra “A
Geometria” à sua teoria das equações algébricas.
Contribuiu para a unificação entre a Álgebra e a
Geometria, mostrando como as operações algébricas,
nomeadamente a resolução de equações quadráticas, são
interpretadas geometricamente.
Descarte rompeu com a tradição Grega, pois em vez de
apenas considerar X2 como uma área, ele também o
interpreta como “produto de segmentos”. Tal facto
permitiu abandonar o princípio da homogeneidade preservando
o significado geométrico.
Actividade1: Analise, nos Elementos de Euclides, as
“regras” usadas para a resolução de equações do 2º
grau.
Actividade2: Utilizando o processo apresentado por Descartes
em A Geometria, resolver com régua e compasso a equação:
a) x^2 + B = ax
PS: O Livro de Descartes - http://loja.apm.pt/index.asp?accao
=showdesc&id_artigo=225
Bom trabalho
José Miguel
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