Jornal da Escola Secundária/3 da Sé - Lamego

Escola Saudável Março de 2002 

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Pensa...
e reconstrói a história

Versos

No meu mundo vivi,
dele me quero esquecer.
Disse que sem ela não se vive,
mas eu sem ela quero viver.

Viver neste mundo bonito
com tudo de bom e belo,
ser feliz com tudo,
ser homem humilde e sincero.

Nesta vida perdi tudo,
não quero continuar.
Quero ser feliz sem droga
para ter vontade de amar.

A todos vou contar
a razão do meu sofrer:
nela nos viciamos,
sem ela não sabemos viver.

Muito do que se conta é verdade,
mas nada se pode fazer.
Lutar a cada dia,
só isso nos dá mais prazer.

Podemos ser ricos,
também humildes e nobres,
mas com a companhia dela
chamam-nos de tudo menos pobres.

Nesta vida já sofri
muitas mágoas para contar,
bons momentos também passei,
mas nada para lembrar.

Ser compreendido por todos
é o que mais quero.
Acreditem em mim
porque sou muito sincero.

Tudo vindo de um marginal
não dá para confiar,
se não houver quem acredite,
não dá para continuar.

Esta sociedade é injusta,
cruel e até repugnante,
mas quando se tem ideias
têm de se levar adiante.

Convictos de nossos sonhos,
nunca parar com a razão,
se estás mesmo mudado,
a sociedade contigo terá compreensão.

Por João Rebelo Paulo,
Estabelecimento Prisional Regional de Lamego

Produto final... 

 


(clique na imagem para ampliar)

... de uma professora aos
25 anos de serviço forçados.

A Terra e o que está a acontecer


Terra, Mãe Natureza,
de ti vai a cada mesa
o alimento dos humanos.
Fornecer as energias,
mas ainda mais darias,
se não te causassem danos.

As florestas devoradas
pelo fogo, tão queimadas,
que delas já pouco se tira.
Os chãos, com tantas braseiras,
envenenam sementeiras,
mais o ar que se respira.

Hoje, só se fala em guerra
e em muitos sítios da terra
há já quem não tenha voz.
Ao ver o justo a sofrer,
é caso para dizer:
- Deus tenha pena de nós!


Sente-se um ar poluído.
O ambiente está ferido
pela maldade da gente.
Com tanta poluição
já não dás a produção
que davas antigamente.

Até já o próprio ambiente
das relações entre a gente
parece que envenenado.
Toda a gente razões tem,
ninguém respeita ninguém,
ao que o mundo foi chegado.

Por António Rodrigues,
Estabelecimento Prisional de Lamego

 

Sabedoria Popular


A dezena acaba em dez,
a centena acaba em cem,
o milhar, por sua vez,
acaba em zeros também.

O milénio só terminou
no fim do ano dois mil
e não, como se imaginou,
no fim daquele ano civil.

O padre vive da crença,
o batoteiro da sorte,
o médico da doença
e o cangalheiro da morte.


O médico ganha dinheiro,
enriquece em poucos anos,
porque não paga ao coveiro
para lhe enterrar os enganos.

Quem se mete com doutores,
fica seu prisioneiro,
passa sustos, passa dores
e, por fim, paga dinheiro.

Já vi muitos loucos a mandar
em homens de inteligência,
que acabo por pensar
que a burrice é uma ciência.

Por António Rodrigues,
Estabelecimento Prisional de Lamego


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