Acção de Formação a Distância PROF2000
AF-18 - 2003

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Círculo de Estudos
Episódios da História da Matemática na Antiga Grécia:
Trissecção do Ângulo e Duplicação do Cubo

Formando
António Manuel Marques do Amaral
 E-mail: amma@mail.prof2000.pt
    
Página pessoal: http://www.prof2000.pt/users/amma



Proposta de Trabalho Facultativo N.º 3

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A trissectriz de Hípias
Ficha de Trabalho


|Ficha com a trissectriz de Hípias| |A trissectriz de Hípias|

 

Ficha com a trissectriz de Hípias

 

Resolução da Ficha de Trabalho

 

No Plano Semanal da 5.ª Sessão, o formador propôs que resolvêssemos e publicássemos uma ficha de trabalho sobre a Trissectriz de Hípias, que fora extraída de: Estrada, M. & Sá, C. & Queiró, J. & Silva, M. & Costa, M. – História da Matemática, Universidade Aberta, Lisboa, 2000.

É exactamente essa a tarefa que se vai agora tentar cumprir.

 

Ficha de trabalho com a trissectriz de Hípias


As figuras representam a trissectriz de Hípias associada ao quadrado ABCD e três ângulos rectilíneos a, b e g . Utilizando apenas régua, compasso e as figuras dadas, construa:

a)

Um ângulo cuja amplitude seja duas quintas partes da amplitude do ângulo a.

b)

Um ângulo que esteja para b na razão em que o lado dum quadrado está para a diagonal.

c)

O quarto proporcional de a, b e g .

d)

O meio proporcional de a e b .

 

   

 


Ficha de Trabalho

 

 


     
 

Alínea a)

 

a)

Um ângulo cuja amplitude seja duas quintas partes da amplitude do ângulo a.

Começa-se por transportar o ângulo a para uma posição em que seu vértice V coincida com A, o seu lado VU coincida com AD (I.31) e o seu lado VX intersecte a curva de Hípias num ponto S.

Seguidamente, por S, traça-se uma paralela a AD, que intersecta AB no ponto T.

Agora, aplicando o teorema de Tales, divide-se o segmento [AT] em duas partes pelo ponto R, por forma que [AR] seja dois quintos de [AT].

Determinado o ponto R, traça-se RR' paralelamente a AD, que intersecta a curva de Hípias no ponto S'.

A amplitude do ângulo S'AD é duas quintas partes da do ângulo SAD, logo também duas quintas partes da amplitude do ângulo UVX, dado que:

Propriedade da curva de Hípias

A curva de Hípias permite reduzir todas as questões de proporcionalidade entre ângulos a questões análogas entre segmentos de recta.


Ficheiro GSP Animação JavaSketchpad

 

   

 

Teorema de Tales
(Corolário de Elementos VI.2)

Dadas duas rectas, r e s, intersectando-se num ponto O, e duas rectas paralelas, p e q, intersectando r nos pontos A e B, respectivamente, e s nos pontos C e D, respectivamente, obtem-se a proporção:

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Teorema de Tales

 

 


     
 

Alínea b)

 

b)

Um ângulo que esteja para b na razão em que o lado dum quadrado está para a diagonal.

A única diferença relativamente à alínea anterior é que o segmento de recta [AR], marcado sobre [AB], deve ser igual ao lado do quadrado de diagonal igual ao segmento [AT]. (ver caixa à direita)

A amplitude do ângulo S'AD está para a amplitude do ângulo SAD na razão em que o lado dum quadrado está para a diagonal, logo também na mesma razão está a amplitude do ângulo S'AD em relação à amplitude do ângulo UVX, dado que:

Propriedade da curva de Hípias

A curva de Hípias permite reduzir todas as questões de proporcionalidade entre ângulos a questões análogas entre segmentos de recta.

 

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Inscrever um quadrado num círculo dado
(Elementos IV.6)

Tracem-se dois diâmetros [AC] e [BD], perpendiculares entre si, e construam-se os segmentos [AB], [BC], [CD] e [DA].
O quadrado [ABCD] foi inscrito no círculo dado.

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Alínea c)

     


 

c)

O quarto proporcional de a, b e g .

Procedeu-se de forma análoga ao considerado nas alíneas anteriores e, para facilitar a construção, atendeu-se à equivalência seguinte, relativa à construção do quarto proporcional (ver caixa à direita):

Como o segmento [AR] é o quarto proporcional de [AT1], [AT2] e [AT3], então a amplitude do ângulo SAD é também o quarto proporcional das amplitudes dos ângulos S1AD, S2AD e S3AD.
Logo, a amplitude do ângulo SAD é o quarto proporcional das amplitudes dos ângulos
a, b e g , dado que:

Propriedade da curva de Hípias

A curva de Hípias permite reduzir todas as questões de proporcionalidade entre ângulos a questões análogas entre segmentos de recta.


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A construção do quarto proporcional
(Elementos VI,12)

Dados três segmentos de recta, a, b e c, o teorema de Tales fornece uma construção simples do quarto proporcional, isto é, dum segmento de recta x que verifique a proporção

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Quarto proporcional

 

 

 

 

 


     
 

Alínea d)

     


 

d)

O meio proporcional de a e b .

Para além da construção do meio proporcional de dois segmentos de recta (ver caixa à direita), os procedimentos continuam a ser análogos aos das alíneas anteriores.

Como o segmento [AR] é o meio proporcional de [AT1] e [AT2], então a amplitude do ângulo SAD é também o meio proporcional das amplitudes dos ângulos S1AD e S2AD.
Logo, a amplitude do ângulo SAD é o meio proporcional das amplitudes dos ângulos
a e b, dado que:

Propriedade da curva de Hípias

A curva de Hípias permite reduzir todas as questões de proporcionalidade entre ângulos a questões análogas entre segmentos de recta.


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A construção do meio proporcional
(Elementos VI,13)

O teorema da altura (num triângulo rectângulo, a altura relativa à hipotenusa é meio proporcional entre os segmentos que determina na hipotenusa), conjugado com o que afirma que qualquer ângulo inscrito numa semicircunferência é recto, permite construir o meio proporcional entre dois segmentos de recta s e t dados, isto é, um segmento de recta y tal que se verifique a proporção

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Meio proporcional

 

 


     

 

A trissectriz de Hípias

 

A trissectriz

 
 

Como já vimos, os geómetras gregos não se limitavam à utilização da régua e do compasso, segundo o método euclideano. Por vezes, viam-se na necessidade de recorrer a construções que não conseguiam reduzir ao traçado e ao prolongamento de rectas e ao traçado de circunferências e que, portanto, exigiam instrumentos diferentes, não se fundamentando nos três primeiros postulados dos Elementos de Euclides.

Pelo que parece, ainda no decurso da procura da solução da trissecção do ângulo surge uma interessante curva da geometria grega, conhecida pela designação de trissectriz de Hípias. Dê-mos a palavra a Carlos Sá:

No livro IV da Colecção Matemática, Papo descreve uma das mais interessantes curvas da geometria grega, conhecida na antiguidade pelo nome de quadratriz. Esta curva permite trissectar qualquer ângulo agudo com facilidade; na verdade, independentemente de qualquer outra propriedade que a curva também possa ter, o que a descrição dada por Papo toma evidente é que ela permite transformar razões entre as amplitudes de dois ângulos em razões entre os comprimentos de dois segmentos de recta, e vice-versa. Portanto, é plausível que ela tenha sido descoberta no decurso dos estudos relativos ao problema da trissecção do ângulo, surgindo pela primeira vez na história da matemática como uma curva trissectriz, e mudando de nome, posteriormente, dada a sua aplicabilidade ao problema da quadratura do círculo. O matemático mais antigo associado a esta curva é Hípias de Elis, um sofista do século V a.C.; Por isso, até que seja estudado o modo como, no século seguinte, Dinóstrato a utilizou para rectificar a circunferência, ela será aqui designada por trissectriz de Hípias.

É de observar que, neste texto, a palavra trissectriz é usada em dois sentidos diferentes. Para além do seu significado usual (por exemplo, na expressão trissectriz dum ângulo) - em que o referido termo designa uma semi-recta que divide o ângulo em duas partes, uma das quais é a terça parte do todo - a palavra trissectriz é também aqui usada para designar uma determinada curva (justamente a curva de Hípias) que, como se verá de seguida, permite trissectar um ângulo dado.

Papo descreve esta curva através de dois movimentos sincronizados, um rectilíneo e outro circular. Dado um quadrado ABCD, suponha-se que o lado BC se desloca paralelamente a si próprio até coincidir com o lado AD e, simultaneamente, o ladoAB gira em torno do ponto A até coincidir com o lado AD (ver figura); os dois movimentos deverão ser uniformes (isto é, as velocidades devem ser constantes), começar no mesmo instante e acabar no mesmo instante. Em cada instante, com a excepção do último, as duas rectas intersectam-se num ponto bem determinado. Enquanto as duas rectas se deslocam, o seu ponto de intersecção descreve a curva de Hípias.

Uma vez que o movimento do lado BC é uniforme, a distância por ele percorrida é proporcional ao tempo decorrido no percurso. Analogamente, como o movimento do lado AB é uniforme, a amplitude angular percorrida por esse lado (que pode ser medida pelo arco determinado na circunferência de centro A e raio AB) é também proporcional ao tempo decorrido no seu percurso. Consequentemente, há proporcionalidade entre a distância rectilínea percorrida pelo lado BC e a amplitude angular percorrida pelo lado AB (ver figura):

Ora, é justamente devido a esta propriedade que a curva de Hípias permite reduzir todas as questões de proporcionalidade entre ângulos a questões análogas entre segmentos de recta e, em particular, permite reduzir a trissecção dum dado ângulo à trissecção dum segmento de recta.

HISTÓRIA DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000

   

 

Hípias de Elis
(c 460 a.C - 400 a.C)

Hípias de Elis era um homem de estado e um filósofo que viajava de lugar para lugar levando dinheiro pelos seus serviços. Fazia conferências sobre poesia, gramática, história, política, arqueologia, matemática e astronomia. Platão descreve-o como um homem vão que é arrogante e vanglório, tendo um conhecimento vasto mas superficial. Heath diz-nos algo do seu carácter quando escreve:
Reivindicou... ter ido uma vez ao festival do Olimpo com tudo o que usava feito por ele próprio, anel e sandália, frasco de óleo, raspador, sapatos, roupa, e um cinturão persa de tipo caro;  também deitou a mão a poemas, épicos, tragédias, ditirambos, e a todo o tipo de trabalhos em prosa.
A respeito das realizações académicas de Hípias, Heath escreve:
Era um mestre da ciência do cálculo, da geometria, da astronomia, "dos ritmos e das harmonias e da escrita correcta". Tinha também um sistema maravilhoso de mnemónica permitindo-o, se ouvisse uma vez uma lista de cinquenta nomes, recordá-los a todos.

 

 

 

 

Propriedade da curva trissectriz de Hípias

A curva de Hípias permite reduzir todas as questões de proporcionalidade entre ângulos a questões análogas entre segmentos de recta e, em particular, permite reduzir a trissecção dum dado ângulo à trissecção dum segmento de recta.

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Arraste o ponto P para animação manual.

 

 
     
 

A quadratriz de Dinóstrato

 

 

Sobre a quadratriz de Dinóstrato, dê-mos novamente a palavra a Carlos Sá:

Um século depois de Hípias de Elis ter descoberto a trissectriz, um outro matemático ateniense, Dinóstrato, descobriu que essa curva podia também ser utilizada na solução dum problema geométrico diferente mas não menos importante: a rectificação da circunferência. Proclo de Lícia (Comentários ao Primeiro Livro dos Elementos de Euclides) designa a curva de Hípias por quadratriz, embora não lhe associe o nome de Dinóstrato. Papo de Alexandria (Colecção Matemática, IV), por sua vez, ao descrever a curva, associa-lhe os nomes de Dinóstrato e de Nicomedes, e afirma que ambos a utilizaram para quadrar o círculo.

Considere-se a curva de Hípias, definida pela intersecção dos lados BC e AB do quadrado ABCD, quando ambos são sujeitos a movimentos sincronizados, o primeiro deslocando-se paralelamente a si próprio e o segundo rodando em torno do ponto fixo A, até ocuparem ambos a posição do lado AD. Seja G o ponto em que a curva intersecta o lado AD do quadrado [Do ponto de vista da matemática grega, a determinação deste ponto da curva é problemática. Observe-se que, quando os dois segmentos de recta móveis ocupam ambos a posição do lado AD, isto é, quando são coincidentes, eles não determinam nenhum ponto.]. Dinóstrato terá descoberto que o lado do quadrado é meio proporcional entre o (comprimento do) arco de circunferência BD e o segmento de recta AG, isto é, que

 

Este resultado (que Papo apresenta como proposição Colecção Matemática IV, 26 e prova por dupla redução ao absurdo) permite construir um segmento de recta igual à quarta parte do perímetro da circunferência de raio AB.

... Esta propriedade da curva de Hípias foi considerada de tal modo importante, que lhe valeu ficar conhecida como quadratriz. Contudo, deve notar-se que o resultado de Dinóstrato não fornece directamente uma quadratura do círculo, mas sim uma rectificação da circunferência. No século seguinte àquele em que Dinóstrato viveu, Arquimedes de Siracusa estabeleceu a ligação entre as duas questões (a da quadratura do círculo e a da rectificação da circunferência), ao demonstrar que todo o círculo é igual a um triângulo com altura igual ao raio do círculo e base igual ao perímetro da respectiva circunferência.

HISTÓRIA DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000

 

Animação

Dim. em cm 105 x 84 x 13 Animar:  
L'invenzione di questa curva è attribuita da Proclo a Ippia di Elea (seconda metà del V° secolo a.C.).
Per ottenerla, si faccia traslare in modo uniforme il segmento AB fino a farlo coincidere con DC: e nello stesso tempo si faccia ruotare uniformemente il segmento DA fino a farlo coincidere con DC. Il luogo dei punti di intersezione dei due segmenti durante il loro movimento simultaneo è la curva di Ippia, il quale (a quanto riferisce Pappo) la utilizzò per trisecare un angolo acuto (problema non risolubile con riga e compasso).
La trisettrice di Ippia serve anche per ottenere la quadratura del cerchio, cioè per costruire il lato di un quadrato che abbia area uguale a un cerchio assegnato. È ancora Pappo che attribuisce a Dinostrato (350 a.C. circa) la scoperta di questa proprietà, e ne fornisce dimostrazione.

Retirado de http://www.museo.unimo.it/theatrum/macchine/155ogg.htm

centro museo di storia naturale e della strum. scientifica

 

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Ficheiro GSP

 

 

 


Dinóstrato
(c 390 a.C - 320 a.C.)

Um matemático famoso da escola  Platónica, o irmão de Menecmo, e um discípulo de Platão. Seguindo as peugadas de seu irmão, que desenvolveu a teoria de secções cónicas, de Dinóstrato é dito ter feito muitas descobertas matemáticas; mas é distinguido particularmente como o inventor da quadratriz, embora haja alguma razão para atribuir a invenção original desta curva Hípias de Elis.

 

 


Arquimedes
(287 a.C - 212 a.C.)

Para a quadratura do círculo, Arquimedes deu a seguinte construção. Seja P o ponto onde a espiral completa uma volta. Que a tangente à espiral em P corte a linha perpendicular a OP em T. De seguida Arquimedes prova na Proposição 19 de Acerca das Espirais (On spirals) que OT é o comprimento da circunferência do círculo de raio OP. Não haverá muita certeza que tenha resolvido o problema da quadratura do círculo, mas Arquimedes provara como primeira proposição de Medidas do Círculo (Measurement of the circle) que a área de um círculo é igual à de um triângulo rectângulo possuindo os dois lados mais curtos iguais ao raio do círculo e à circunferência do círculo. Por isso, a área do círculo de raio OP é igual à área do triângulo [OPT].

Retirado de Squaring the circle

Ficheiro GSP


Espiral de Arquimedes

A espiral de Arquimedes é uma curva descrita por um ponto que se desloca com uma velocidade uniforme ao longo de uma semi-recta, a partir da origem, que roda, com uma velocidade angular uniforme, em torno da origem.
A origem da semi-recta é o pólo da espiral; a distância de um ponto da espiral ao pólo é o raio vector desse ponto. Os ângulos de rotação são os ângulos polares que se contam a partir de uma posição inicial da semi-recta, designada por eixo polar, de zero para infinito. A cada valor do ângulo polar
q corresponde um valor para o raio vector r.
As espirais destinguem-se segundo a relação que liga o raio vector com o ângulo polar. No caso da espiral de Arquimedes, esta relação é expressa pela equação
r = a q. Neste caso, o raio vector varia proporcionalmente ao ângulo polar.

Retirado de Espiral de Arquimedes

 

 


     

 

Actualizada em
 16-11-2003