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16/2/2002

 
 
 
 
 



E o último lugar vai para... Portugal
 

DESDE 1995, as finanças públicas portuguesas fizeram a pior trajectória de toda a União Europeia. Com um défice público de -2,5% do PIB em 2001, a Alemanha ultrapassou Portugal na aproximação ao proibido limite dos -3% definidos pelo Pacto de Estabilidade. Contudo, a situação nacional é bastante mais delicada.

Portugal foi o país da UE que menos êxito teve na redução do défice público desde 1995, abatendo apenas -3% do PIB, contra os -9.1% da Grécia, os -6,7% da Irlanda e os -6,3% da Espanha, por exemplo.

Portugal foi o país da UE com maior tendência despesista. Desde 1995, o peso das despesas correntes primárias (sem juros) aumentou 2,2% do PIB, contra uma subida de 1,3% na Grécia e de 0.2% em Itália. Todos os outros países baixaram a despesa pública, com destaque para a Irlanda que a cortou em 7% do PIB. Inversamente, Portugal foi dos países que mais beneficiou com a diminuição dos encargos com a dívida, tornada possível pelo processo de desinflação que permitiu uma redução no pagamento de juros em 3,2 pontos percentuais, só abaixo da Itália (-5p.p.), da Grécia (-3,9p.p.) e da Irlanda (-3,3 p.p.). Portugal foi o país da UE que mais aumentou o peso da massa salarial sobre o produto. Desde 1995, o peso dos salários da função pública aumentou 1,4% do PIB, contra uma subida de 0,5% do PIB na Grécia. Nos restantes países, o peso da massa salarial no PIB desceu. Portugal foi o único país da UE que deteriorou o saldo primário ajustado do ciclo, o indicador mais correcto para avaliar a saúde estrutural das contas públicas e a política orçamental dos Estados-membros, ao descontar os efeitos dos ciclos económicos e o impacto das taxas de juro, que fogem ao controlo do Governo.



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