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A Escola Secundária da Sé rumo à Sociedade da Informação e da Aprendizagem
A Sociedade da Informação
exige uma contínua consolidação e actualização dos conhecimentos dos cidadãos.
O conceito de educação ao longo da vida deve ser encarado como uma construção
contínua da pessoa humana, dos seus saberes, aptidões, e da sua capacidade de
discernir e agir. A Escola desempenha um papel
fundamental em todo o processo de formação de cidadãos aptos para a Sociedade
da Informação e deverá ser um dos principais focos de intervenção para se
garantir um caminho seguro e sólido para o futuro. In “Livro Verde para Sociedade da Informação em Portugal” IntroduçãoO projecto “A Escola Secundária da Sé rumo à Sociedade da Informação e da Aprendizagem” é um projecto que, pretendendo dotar a Escola de meios informáticos e recursos humanos e físicos adequados, visa proporcionar o cumprimento de metas definidas no Projecto Educativo da Escola. A Escola Secundária/3 da Sé é uma escola que possui algum equipamento informático, mas obsoleto ou não adequado na sua maior parte, não dispõe de uma rede informática e apenas existe uma máquina com ligação à Internet, que se encontra situada na Biblioteca. Estando a Escola situada no interior do país, com todos os custos inerentes a esta situação, esta iniciativa constituirá uma boa medida para que todos os seus membros possam estar cada vez mais próximos do Mundo, criando as condições físicas necessárias à aprendizagem permanente ao disponibilizar fontes diversificadas de informação e novas tecnologias de informação e comunicação. JustificaçãoA utilização das redes de telecomunicações e das Tecnologias de Informação e Comunicação em educação é geralmente considerada como um dos elementos determinantes nos processos de mudança que a escola actual e os sistemas educativos nacionais já empreenderam. O acesso instantâneo à informação e a especialistas, o estabelecimento de ambientes de colaboração à distância que proporcionam a partilha de saberes e o quebrar de fronteiras criam novos paradigmas da escola, mais centrados na aprendizagem do que no ensino, que exigem respostas eficazes. O desenvolvimento profissional dos professores potenciando a formação contínua associada à utilização das redes telemáticas favorece o desenvolvimento de metodologias eficazes contribuindo positivamente para o desenvolvimento da escola do futuro. A percepção das rápidas mudanças que afectam toda a Sociedade e em especial a Escola, tem conduzido em toda a Europa à definição de políticas que se adaptem a uma nova realidade, a da Sociedade da Informação. Princípios orientadoresEm articulação com o Projecto Educativo da Escola, subjacentes à elaboração do projecto estão presentes os seguintes princípios orientadores: · A escola é um local de diversidade, onde se verifica o cruzamento de pessoas, saberes e interacção social orientada para uma melhoria do processo educativo assente nos princípios de uma cultura de participação democrática, no respeito por três vectores fundamentais: autonomia/liberdade, autonomia/integração e autonomia/responsabilização; · A especificidade da Escola, o contexto social, cultural e económico em que esta se insere e ainda o grau de incerteza do desenvolvimento das sociedades modernas, nos campos cultural, técnico, social e económico; · Permanente e reforçado estímulo aos membros da comunidade educativa, sugerido por propostas inovadoras e dinâmicas que, pela sua correlação com a evolução técnica e social do Mundo em que vivem, mobilizem as suas capacidades, nomeadamente no âmbito da criatividade comunicativa; · A comunicação intercultural como aprendizagem socializadora e factor de desenvolvimento da tolerância, da compreensão mútua e do respeito pela diversidade de interpretação, de opinião e de culturas, entre diferentes regiões do nosso país e entre diferentes países; · Cooperação entre toda a comunidade educativa no sentido do desenvolvimento de uma intervenção positiva e dinâmica; · Humanização dos espaços e das relações; · Esforço no âmbito curricular e extracurricular de modo a tornar a Escola num local de educação para a cidadania; · Necessidade de investimento na formação do pessoal docente, não docente, discente e dos pais e encarregados de educação. Objectivos e finalidades· Fazer da Escola um lugar mais atraente para os alunos e fornecer-lhes as chaves para uma compreensão verdadeira da sociedade da informação; · Fazer da Escola um lugar de aprendizagem, onde são facultados os meios para construir o conhecimento, atitudes e valores e adquirir competências, em vez de um espaço onde o professor se limita a transmitir o saber ao aluno; · Promover a articulação da educação com a sociedade da informação, facultando a todos a possibilidade de terem ao seu dispor, recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação; · Contribuir de um modo fundamental para a garantia do princípio de democraticidade no acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, tirando partido da revolução profunda no mundo da comunicação operada pela digitalização da informação, pelo aparecimento do multimédia e pela difusão das redes telemáticas; · Favorecer e incrementar a utilização das TIC em educação; · Disponibilizar meios para a formação contínua de professores à distância, que contribuam com formas inovadoras para o seu desenvolvimento profissional; · Potenciar a troca de experiências entre diferentes escolas e o desenvolvimento de projectos interescolas, nacionais e estrangeiras; · Facilitar à Comunidade Escolar o acesso aos Serviços Multimédia, à informação disponível na Internet e em redes locais. Projectos anteriores na área das TICO primeiro contacto da Escola com computadores remonta ao já longínquo ano de 1987, resultando de um protocolo celebrado com a Casa de Cultura de Lamego. Através desse protocolo foi possível equipar a Escola com alguns Spectrum, que proporcionou, em regime extra-curricular, o funcionamento de um clube de Matemática/Informática com alguns professores e alunos. Foi aí que se começaram a dar os primeiros passos na exploração das novas tecnologias e na sua ligação à sala de aula. Foi, sobretudo, a época da construção de alguns programas didácticos em Basic. No ano seguinte, o GETAP forneceu à Escola um computador Amstrad, o que permitiu estabelecer o primeiro contacto curricular dos alunos do Curso Técnico-Profissional de Contabilidade com estes novos meios tecnológicos. Nos anos lectivos de 1990/91 a 1993/94, a Escola esteve integrada no Projecto MINERVA, que foi a primeira iniciativa financiada pelo Ministério da Educação que colocou os computadores como ferramentas de aprendizagem, quer a nível disciplinar e interdisciplinar, na sala de aula e em clubes ou laboratórios de informática. O tipo de software explorado centrou-se especialmente em processadores de texto, folhas de cálculo, bases de dados, desenho assistido por computador, a par de outro software educacional. A edição electrónica foi também uma ferramenta que fez ressurgir o Jornal Escolar. A adesão ao Projecto Minerva foi um marco importante na sensibilização de professores e alunos da Escola para a utilização das TIC. Desde o ano lectivo de 1997/98 que a Escola está integrada no Programa Internet na Escola, tendo sido equipada a biblioteca com um computador multimédia com ligação à Internet. Também nestes últimos anos têm sido desenvolvidas actividades de apoio pedagógico com suporte informático. No Laboratório de Informática, têm sido leccionadas as disciplinas de Introdução às Tecnologias da Informação e outras no âmbito disciplinar de contabilidade e do ensino recorrente. No ano lectivo de 1998/99 deu-se início a criação do Laboratório de Matemática, pela tomada de consciência de que o recurso a abordagens laboratoriais é precisamente uma forma de conseguir uma aprendizagem matemática significante. Neste contexto, os computadores e, mais recentemente, as calculadoras gráficas têm um papel fundamental a desempenhar, possibilitando a passagem de experiências gráficas e numéricas iniciais para construções analíticas mais profundas, ou como ferramentas heurísticas, tal como o biólogo se serve do microscópio. Considerando que o recentemente criado Laboratório de Matemática poderia também constituir um espaço privilegiado para a ocupação de alguns tempos livres, quer para o desenvolvimento de actividades extracurriculares, o Departamento Curricular de Matemática/Informática propôs, no ano lectivo de 1999/200, a criação do Clube de Matemática, como uma actividade a incluir no PAAE. Aí, pretendia-se proporcionar aos alunos uma face menos habitual da disciplina, num espaço com um ambiente atractivo, facilitador da experimentação e da descoberta, com recurso a um conjunto diversificado de equipamentos e materiais, desmistificando‑se a acessibilidade da Matemática e contribuindo para a alteração da tradicional imagem negativa da disciplina. Pôr à disposição de professores e alunos um conjunto de ideias e materiais que possibilitem dar um contributo inovador e enriquecedor ao ensino da Matemática, criar nos alunos uma relação afectiva com a disciplina e proporcionar na Escola mais um complemento educativo, têm sido as finalidades do Clube de Matemática. Com esta iniciativa, tem-se ainda pretendido motivar os alunos para o estudo da disciplina, levando-os a experimentar a Matemática de uma forma algo diferente das suas experiências anteriores, num ambiente aberto e informal, tornando mais fácil e atractiva a aprendizagem. Algumas das actividades envolveram a utilização do computador. Este foi utilizado não apenas como ferramenta para a realização de alguns trabalhos escolares e da Área‑Escola, mas também para a exploração de programas didácticos (tais como, The Geometer’s Sketchpad, o Modellus, o Graphmatica, o Poly), quer como um fornecedor de um conjunto de informações, materiais e recursos diversos disponibilizados em HTML (offline) - MATO6 - [tais como, um conjunto de actividades para desenvolver no Laboratório de Matemática usando recursos informáticos, fichas de trabalho para os diversos anos de escolaridade, provas escritas de anos anteriores para todos os anos de escolaridade, provas globais (matrizes, provas, critérios de classificação e propostas de resolução), conjunto das provas das Olimpíadas Nacionais de Matemática desde 1994-95, provas modelo dos exames nacionais, um conjunto de documentos humorísticos relativos à Matemática, etc.]. A nossa Escola arranca agora com um novo Projecto Educativo cuja dinâmica se desenvolve na ideia central "Educar para a Cidadania". Partimos para esta nova fase da vida da escola conscientes dos problemas com que nos deparamos e determinados a encontrar as soluções que respondam mais eficazmente à realização da ideia a que nos propomos. Neste tema aglutinador, as novas tecnologias tem um papel importante a desempenhar na formação dos jovens cidadãos da era informática e no consequente surgimento de novas cidadanias. A comunidade educativa, consciente desse papel, reconhece que o convívio com as TIC necessita de um projecto dinâmico capaz de gerir as suas crescentes potencialidades e de as utilizar de modo a responder aos desafios da escola de hoje. É neste contexto que, no ano lectivo que agora terminou, o grupo de Informática criou na Escola o Clube de Informática. Os dois grandes vectores do projecto são: · Introduzir a informática no quotidiano escolar, que se traduz em proporcionar e incentivar o recurso ao software educacional nas várias disciplinas e em colocar ao dispor dos alunos recursos informáticos para a elaboração de produtos das suas actividades. · Ligar a Escola ao Mundo, que tem por objectivo recorrer à Internet, de forma a integrar os alunos em actividades seleccionadas e acompanhadas em grupo e que incluam motivos de interesse nas aprendizagens. Desenvolvimento do projecto nas suas diferentes componentesNeste projecto pretende-se contemplar o desenvolvimento de actividades em diversos contextos educativos, nomeadamente, disciplinar, multidisciplinar, transdisciplinar, formação, clubes, apoio pedagógico, ensino especial, centro de recursos, livre acesso e modernização administrativa. Além de outras vertentes mais específicas, pretende‑se: · desenvolver uma rede local como meio de generalização do acesso à Internet no interior da Escola e a criação de intranets; · dotar o Laboratório de Informática com equipamento e outros recursos adequados às exigências dos currículos das disciplinas de ITI, Contabilidade e Trabalhos de Aplicação; · substituir equipamentos obsoletos/desactualizados e optimizar a distribuição de equipamentos e recursos pelos diversos espaços específicos da Escola; · criar condições para a utilização do correio electrónico na comunicação quotidiana entre a comunidade educativa e entre os serviços administrativos, assim como ao acesso e registo de informação administrativa e legislação por meios informáticos. Isto é, dar cumprimento ao disposto no Decreto-Lei n.º 135/99, de 22 de Abril, proporcionando aos utentes a simplificação, a desburocratização e a melhoria dos serviços prestados, e facultando também a inovação tecnológica e as facilidades de acesso à informação administrativa. · dotar a Escola de mais conteúdos multimédia educativos, que permitam maior generalização e frequência de utilização nos métodos de ensino e aprendizagem do potencial das TIC; · alargar o leque de oferta existente na Biblioteca/Centro de Recursos e Auditório da Escola. Em paralelo e ainda no âmbito da utilização das TIC, continuar-se-ão a desenvolver, generalizar e melhorar outras actividades em funcionamento na Escola, nomeadamente: · Laboratório de Matemática · Clube de Matemática · Projecto Internet na Escola · Clube de Informática · Clube de Línguas · Sala de Estudo · Apoio pedagógico com recurso informático · Apoio ao ensino especial no âmbito da informática O Laboratório e o Clube de Matemática tem envolvido todos os professores de Matemática da Escola e abrangido todos os alunos do ensino diurno. Pretende-se agora incentivar a utilização destes espaços por outros membros da comunidade, em particular outros professores das áreas das ciências, no sentido de promover o desenvolvimento de actividades interdisciplinares. O Clube de Línguas tem envolvido os professores e alguns alunos das línguas estrangeiras, que têm vindo a promover outras actividades pouco usuais na aula tradicional. O Clube de Informática, um espaço de livre acesso a toda a comunidade educativa, além de permitir o desenvolvimento de actividades diversificadas com recurso às TIC, é ainda um espaço de apoio aos membros da comunidade que pelos mais diversos motivos apenas agora começam a contactar com estes recursos. FormaçãoA formação mais elementar continuará a ser promovida pela «prata da casa», em particular aquela necessária relativamente aos projectos que têm vindo a ser desenvolvidas na Escola. O CFOP-LART, Centro de Formação de Associação de Escolas dos concelhos de Lamego, Armamar, Resende e Tarouca, continuará a proporcionar ao pessoal docente alguma formação no âmbito da utilização de programas educativos e a iniciação à Internet. A candidatura da Escola ao PROF 2000 (um programa de formação de professores à distância, em que participam em parceria a Portugal Telecom/PT Inovação e o Ministério da Educação/DREC) perspectiva um complemento significativo de formação no âmbito da utilização das TIC. Prevê-se de imediato a necessidade de alguma formação relativamente à gestão e manutenção de redes, assim como alguma formação específica para o pessoal administrativo, no âmbito da modernização administrativa. E ainda formação de base para professores, por forma a tirar o maior partido da utilização dos recursos informáticos, na gestão das diferentes actividades lectivas e pedagógico/administrativas que passarão a ser chamados a desempenhar (direcção de turma, coordenação pedagógica e outras). AvaliaçãoEspera-se com o desenvolvimento deste projecto uma melhoria dos recursos da Escola e uma sua utilização mais alargada e eficiente, uma quebra do isolamento da comunidade escolar com o mundo que nos rodeia, e tornar a Escola num espaço de aprendizagem interdisciplinar e de convívio comunitário, tendo em vista o processo de formação de cidadãos aptos para a Sociedade da Informação. A avaliação do projecto, como parte de uma estratégia de desenvolvimento, será efectuada de acordo com os instrumentos e modalidades de avaliação a definir no PAA no âmbito dos sub-projectos e actividades em que este se divide, devendo permitir saber até que ponto os objectivos propostos foram alcançados e, eventualmente, saber onde estiveram os pontos de ruptura, mas sempre na perspectiva de um elemento regulador e orientador da acção, não como uma actividade culpabilizadora, nem acusatória. O processo de avaliação deverá mobilizar informação factual e de gestão, mas também obrigatoriamente informação sobre as percepções dos intervenientes no processo educativo, pois o que as pessoas pensam e sentem é tão real como aquilo que cada um de nós pode considerar factual.
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